O agronegócio brasileiro representa fartura não só para o nosso país, mas para todo o mundo. São 62 milhões de hectares de área agrícola, produzindo 270 milhões de toneladas de alimentos no Brasil, conforme o levantamento realizado em 2021 pelo projeto Mapbiomas, uma rede colaborativa formada por ONGs, universidades e startups de tecnologia.
Mas a produção agrícola representa bem mais do que o fornecimento de alimentos: ela é um dos principais motores da economia nacional (responsável por aproximadamente 25,5% do PIB em 2022 e por R$ 712,4 bilhões do valor bruto da produção – VBP em 2020), empregando milhões de pessoas e movimentando avanços em diversas áreas do conhecimento.
Apesar de trazer tanta riqueza e fartura, a produção de alimentos é apontada como fonte de 37% das emissões de gases de efeito estufa, corroborando a tese de que o agronegócio representa um impacto considerável sobre as mudanças climáticas globais.
Regenerar é a saída para o solo, para a economia e para a sobrevivência do planeta
Ainda que a agricultura industrial tradicional esteja ocasionando impactos negativos sobre o meio ambiente, é possível reverter essa tendência a partir de uma solução já praticada em 15 milhões de hectares ao redor do mundo (segundo o Savory Institute): a agricultura regenerativa.
Isso significa lançar mão de um conjunto de práticas agrícolas e de pastagem, que podem ajudar na obtenção de solos mais saudáveis, e também no enfrentamento dos maiores desafios ambientais da atualidade: a perda de biodiversidade e o aquecimento global.
Melhorar os recursos disponíveis no solo, sem destruí-los ou esgotá-los
Ao contrário do que é feito no agronegócio industrial tradicional, os agricultores regenerativos tendem a impactar a terra o mínimo possível.
Eles têm uma visão mais ampla do ecossistema e optam por empregar diversas técnicas simultâneas, como: minimizar o uso de lavouras, já que isso altera a rede de biodiversidade do solo, e reduzir drasticamente (ou mesmo eliminar) o uso de grandes quantidades de pesticidas, herbicidas e fertilizantes.
Os agricultores regenerativos também evitam a monocultura, e acreditam que os animais de pastagem são vitais para a melhoria da saúde do solo.
Entre as práticas da agricultura regenerativa estão ainda:
- Desenho segundo o contexto:
Não alterar a composição do solo para introduzir novas espécies, cultivando segundo o tipo de solo;
- Maximização da cobertura do solo e das raízes vivas:
Na agricultura convencional, o solo é frequentemente limpo e deixado descoberto após a colheita. Com isso ele se torna mais suscetível à erosão por vento, água e climas extremos. A aragem também priva a terra de seus nutrientes e libera grandes quantidades de dióxido de carbono (CO2).
Ao adotar práticas do chamado plantio direto, os agricultores podem reduzir os impactos no solo, mantendo sua estrutura, já que as plantas reduzem o dano ao solo e fortalecem os microrganismos;
- Rotação de cultivo por temporadas:
Alternar, ordenadamente, diferentes espécies em determinado espaço de tempo, na mesma área. As espécies escolhidas devem ter propósito comercial e de recuperação do solo.
A partir destas práticas é possível obter e manter solos cada vez mais saudáveis, que não apenas apoiam a biodiversidade e preservam os recursos hídricos, mas que também são capazes de sequestrar carbono em quantidades significativas para o bem estar do futuro planetário.
Menos carbono na atmosfera e menos gasto com insumos
Segundo a ONG Project Drawdown, que busca soluções para as mudanças climáticas, estima-se que os métodos regenerativos possam sequestrar entre 14,5 e 22 bilhões de toneladas de CO₂ até 2050.
Mas a agricultura regenerativa não só proporciona solos mais saudáveis ao restaurar seu conteúdo de carbono, ela também aumenta a sua produtividade – e, consequentemente, a rentabilidade para os produtores.
Mais sustentabilidade e mais produtividade
Isso se justifica porque as técnicas de regeneração também podem reduzir a necessidade de insumos químicos, economizando recursos para os agricultores.
Um estudo recente da Fundação Ecdysis revelou que as fazendas pesquisadas tiveram um crescimento de 78% na produtividade graças a menores custos de insumos e retornos maiores por suas safras.
Cuidar da saúde do solo ajuda ainda no fornecimento de ingredientes regenerativos que suprem as necessidades alimentares de uma população mundial em curva acentuada de crescimento.
Além disso, contribui para corresponder à demanda dos consumidores por produtos e alimentos mais sustentáveis.
Outros benefícios diretos da agricultura regenerativa são: o incentivo ao desenvolvimento de soluções tecnológicas, por meio de pesquisas e testes em campo; e a produção de alimentos mais saudáveis, que garantem uma fonte sustentável de renda para milhões de produtores.
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